sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Convite de jantar para Ana.

Venha jantar comigo em minha casa, Ana!
O menu do dia prevê para o prato principal Poesia com Quiabo.
Como guarnição teremos tomates embolorados à milanesa com farinha de canto de sabiá.
Para beber, há uma enorme jarra com água de goteira trufada no mofo, com notas amadeiradas de forro paulista, que podem ser sentidas no palato lateral.
Venha, Ana!
Que o jantar nos espera!
Comeremos em pratos de éter com talheres de solidão metálica.
Ouviremos a hiena enjaulada cantar boleros por toda a noite.
Será maravilhoso!
Celebraremos nossa amizade em grande estilo!
Ainda temos três macacos católicos... façamos um bom tapete!
Com o mel de Deus, entornemos em vodka com sorvete!
Dancemos para a lua sob o grande pé de goiaba.
Haverá alguém nesse mundo alguém que nos condene por nossa loucura?
A pós modernidade sim é que é louca.
Será que só são felizes os doutores?
Quantos livros em alemão teremos de publicar para termos um agradável jantar?
Perceba que a métrica está mudando.
E alguma coisa vai assim rimando.
Coisa estranha essa que vai sincronizando o som.
Vou preparar nosso jantar
Porque se você chegar e nada estiver pronto
Não será de bom tom.

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