terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Edelweiss Efêmera

Eulália era uma flor edelweiss que vivia feliz na ponta de um penhasco, com suas sensíveis raízes fincadas atrás de uma grande pedra que a protegia. Diz a lenda que estas plantas são sensíveis demais e muito bonitas. Eu, particularmente, acho cafonas e assimétricas demais. Sem falar que são de uma economia de cores, que não sobra quase nada pra ver além de duas ou três cores muito esquálidas em meio à textura fofa de suas pétalas.
Eulália acordava feliz todas as manhãs e agradecia a Deus por ser uma edelweiss e não uma flor comum como as outras. Gostava de sentir o vento pobre de oxigênio, típico das regiões altas, roçar por entre suas pétalas, e achava gostosa a sensação causada no gineceu.
Admirava o esplendor do sol, os vôos das aves e era também admirada pelo sol e pelas aves. Todos a achavam deslumbrante. Era o sucesso dos prados. A flor entre as flores. Sua vida era um eterno glamour entre os vegetais da natureza.
Não havia uma só pessoa que não admirasse a beleza de Eulália.
Certo dia, porém, Bonno, um cachorrinho vira-latas, correu nas imediações onde Eulália vivia. Bonno, tendo gostado daquela região fez xixi em cima de Eulália para marcar território.
Eulália morreu.

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