sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Lucrécia

Lucrecia era uma mulher que tinha um dom especial. Ela via os corpos nus de todos os homens, mesmo quando estes estavam vestidos.
Apesar de excitante, o dom de Lucrecia tinha um preço: sempre que olhava seu pai tinha náuseas por vê-lo nu em pelo. Seu maior medo era um dia se sentir atraída por ele, embora morresse de nojo das várias verrugas marrons enormes que ele tinha distribuídas entre o começo da virilha, passando pelo pênis e terminando no final da base anterior do testículo direito. Fato que exterminava qualquer possibilidade de atração. Mas mesmo assim ela temia.
Certo dia, cansada de viver excitada e não poder contar a ninguém sobre seu dom obsceno, Lucrecia resolveu radicalizar. Ligou no disk pinto e mandou que lhe trouxessem três garotos de programa de primeira linhagem. Estava decidida. Por todos esse longos 35 anos de sua vida ela jamais se atrevera a namorar, pois via seus pretendentes todos nus e a idéia de pecado a fazia recuar antes mesmo de dar o primeiro passo. Era uma imoralidade pela qual se culpava todos os dias e a maneira que encontrou para se penitenciar foi evitar o contato com todos os rapazes. Algumas pessoas achavam até que ela fosse mulher macho. Mas as suspeitas logo eram diluídas como um comprimido de permanganato de potássio em água quente, pois Lucrecia era muito católica e jamais seria capaz de uma subversão dessa magnitude. Sempre que ia à igreja, Lucrecia se policiava para jamais olhar para o cristo, pois religiosamente enxergava seu pênis de gesso, embora este nem estivesse esculpido na estátua. Estava sempre dobrado para a direita em estado se semi-ereção sob a mortalha.
Ela recebeu os três michês e agiu como uma verdadeira puta naquela noite. Chupou dois paus amo mesmo tempo que era penetrada por um terceiro, depois foi penetrada pelo ânus e vagina simultaneamente ao passo que chupava um caralho enorme também.
Depois dessa experiência, Lucrecia tornou-se atéia. Para ela, sexo era mais concreto que Deus. Sexo tinha cheiro, Deus não tinha. Sexo era tátil, Deus não era. Sexo era prazer, Deus era sofrimento. Sexo era apoteose, Deus implicava um estado de submissão muito sem graça. Lucrecia fez seu cu e sua vagina valerem ouro, se prostituiu e ficou rica. Morreu transando e bebendo chandon aos setenta e nove anos em Paris com um belíssimo garoto de dezoito anos.
Não se sabe se Lucrecia encontrou deus do outro lado, ou se sequer acordou do outro lado. Só se sabe apenas que Lucrecia se divertiu muito enquanto viva, não fez mal a ninguém, aproveitou o quanto pôde e morreu feliz.

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